1.0. Introdução

A Avaliação Institucional é um qualificador da gestão acadêmica e administrativa, viabilizada por meio de ações que implicam:

    * produzir conhecimento sobre a realidade institucional;
    * discutir a pertinência das finalidades essenciais;
    * identificar pontos fortes e fracos;
    * desafiar os professores no que se refere a sua competência profissional e pedagógica;
    * intensificar a interação com a sociedade;
    * consolidar um projeto institucional pela defesa da qualidade acadêmica.
    * BOM JESUS/IELUSC vem estudando e planejando ações internas tendo em vista contemplar as exigências específicas dessas políticas públicas estabelecidas pelo SINAES, assumindo uma vontade institucional de estabelecer uma nova cultura da avaliação.
    * Avaliar implica conhecer melhor e para isso é preciso contar com a participação do corpo docente, discente e técnico-administrativo. Esperando contar com todos nesse processo, reafirmamos nossa convicção de entender a avaliação como um instrumento qualificador da gestão acadêmica e administrativa que implica refletir sobre a missão, visão e valores, buscando ampliar sempre que possível as parcerias com a sociedade a fim de consolidar a função social da instituição.

2.0. Objetivos

2.1. Geral:

Implementar um processo de avaliação institucional, construído coletivamente para qualificar a gestão acadêmica e administrativa visando ao pleno desempenho institucional.

2.2. Específicos:

    * Verificar e avaliar a estrutura administrativa e pedagógica da instituição tendo como foco prioritário os curso de graduação.
    * Implantar uma cultura de avaliação visando a uma prática sistemática e constante;
    * Estimular os docentes a auto-avaliarem seu desempenho profissional;
    * Aperfeiçoar o banco de dados demonstrativo das atividades de ensino, pesquisa e extensão;
    * Contribuir para o estabelecimento de políticas acadêmicas e administrativas, bem como para a implementação de ações já consolidadas;
    * Manter o princípio de respeito à diversidade;
    * Analisar a pertinência da missão, visão e valores;
    * Assegurar em todas as ações o respeito pela vida, valorizando o diálogo e os encaminhamentos dos conflitos.

3.0 Histórico

3.1. Dimensão Institucional

Desde agosto de 1999, a instituição, por meio de uma portaria interna, resolve constituir equipe de trabalho para refletir sobre os desafios da avaliação. Em um primeiro momento, houve a pretensão de assumir uma série de tarefas, mas rapidamente verificou-se a necessidade de estabelecer prioridades. A primeira delas foi investir todos os esforços para a efetiva construção dos Projetos Pedagógicos dos cursos, considerando a necessária conceituação da avaliação nesse cenário. No final deste mesmo ano, a equipe definiu como metas para o ano de 2000:

    * incentivar todos os professores a realizar sistematicamente avaliações sobre as dinâmicas pedagógicas das diferentes disciplinas, considerando a atuação do docente, discente, proposta curricular, processos de avaliação;
    * incentivar as direções dos cursos a pesquisar sobre o perfil dos alunos, pontuando especificidades com vistas ao planejamento.

A equipe defendeu a idéia de primeiro estabelecer uma cultura da avaliação, considerando a dimensão acadêmica do curso. Somente no final do ano de 2000 a Instituição volta a estabelecer estratégias mais amplas com vistas a avaliar a instituição como um todo. As condições para tal empreendimento começam a ser estruturadas, considerando a dimensão pessoal, técnica e de apoio logístico. A primeira tentativa foi disponibilizar, via site institucional, um questionário de avaliação. Estabelecemos uma interação com os diretórios acadêmicos com o intuito de garantir a participação efetiva dos estudantes, mas a iniciativa não alcançou sucesso. A participação foi mínima, o que nos animou a definir outra estratégia em 2001.

Motivados pela exigência da elaboração do PDI (Plano de Desenvolvimento Institucional), definimos como prioritário a aplicação de um novo instrumento de avaliação, realizado de forma presencial com todos os estudantes, considerando os horários efetivos das aulas. Envolvemos os docentes também nesse processo e os funcionários técnico-administrativos, coletando informações importantes para a elaboração do PDI. Igualmente entendemos ser importante definir com mais clareza e objetividade os referenciais regimentais da instituição que serão brevemente expostos:

Os resultados dessa primeira iniciativa de avaliação institucional são os seguintes:

3.1.1. Dimensão Discente

De um universo de 900 alunos, na ocasião da aplicação do instrumento, 61% respondeu à pesquisa. A grande maioria do corpo discente é formada por estudantes do sexo feminino (71,51%), 41,38% tem idade entre 20 e 23 anos; 26,86% entre 16 e 19 anos; a maioria (79,85%) é solteira; 74,41% nasceu em Santa Catarina; praticamente 90% reside no município de Joinville e entre este 28,49% na região central da cidade.

A pesquisa apontou um dado surpreendente: 34, 85% dos alunos já têm concluído um curso de graduação. Talvez isso possa indicar uma nova estratégia para a instituição, incluindo em seus planejamentos um público que a princípio não parecia ser o público-alvo, considerando o acesso ao ensino superior. Talvez, e isso poderia ser verificado, são pessoas que buscam novas alternativas de trabalho, manifestam vontade de continuar estudando, o que certamente abre possibilidades para a instituição planejar novas ações e projetos. Os(as) alunos(as) são provenientes quase em igual medida (de 35 a 40%) tanto da escola pública quanto da particular. O que acontece é que esse leque das escolas particulares é muito variado e contempla desde os "supletivos especiais", até escolas mais tradicionais na cidade. Apenas 29,04% dos(as) estudantes não trabalham e têm seus gastos financiados pela família, o restante (70,6%) dos entrevistados inserem-se na categoria "estudante-trabalhador", exercendo algum tipo de atividade remunerada, nem sempre vinculada ao campo de atuação relacionado ao curso no qual o estudante está matriculado.

Do total de alunos pesquisados, 64% dos estudantes se consideram satisfeitos em relação aos respectivos cursos. Em relação ao corpo docente, a grande maioria dos estudantes consideraram estar satisfeitos (em torno de 80%, se considerarmos os muito satisfeitos(as) até os(as) medianamente satisfeitos). Além disso, mostraram-se motivados(as) para a formação profissional que os cursos oferecem e satisfeitos com o ambiente e com a estrutura física da instituição (laboratórios, salas-ambiente, biblioteca). A pesquisa, em alguns aspectos, não confirmou algumas queixas anteriormente citadas. Em termos da expectativa em relação a um curso universitário, praticamente 50% espera adquirir uma boa formação profissional, voltada para o mercado de trabalho. Em um segundo plano, (23,77%) existe uma busca por um aperfeiçoamento profissional, uma vez que a inserção no mercado já é uma realidade. E num terceiro plano, está a busca de uma "cultura geral e ampla", assim como formação científica voltada para a pesquisa.

Os(as) estudantes, quando indagados sobre cumprimento das atividades acadêmicas (leituras, trabalhos, estudo), afirmam que sempre ou quase sempre (79,86%) cumprem com seu compromisso.

3.1.2. Dimensão Docente

O corpo docente, consultado através de entrevistas específicas, expressou os seguintes aspectos positivos da instituição:

    * integração dos(as) professores(as) por curso na construção dos projetos pedagógicos e nos estudos sobre currículo;
    * desempenho dos(as) funcionários(as), direção e pessoal de apoio, referente ao atendimento aos(às) docentes;
    * bom ambiente de trabalho onde existe receptividade para a inovação, mudança e participação;
    * cuidado da instituição em relação aos(às) seus(suas) funcionários(as);
    * empenho institucional para consolidar a imagem dos cursos na cidade;
    * investimentos já concretizados nos cursos em andamento.

No que se refere a aspectos a serem melhorados na instituição, a pesquisa apontou o seguinte: ampliar ainda mais a integração entre os(as) professores(as) dos diferentes cursos, ampliar e diversificar os equipamentos de apoio à docência, criar espaços de trabalho para o(a) professor(a) (salas de estudos), ampliar oportunidades de capacitação e atualização pedagógica, consolidar uma política de pesquisa e extensão, ampliar o acervo da biblioteca, realizar de fato a avaliação institucional, implantar um efetivo plano de carreira para os professores.

3.1.3. Dimensão dos funcionários técnico-administrativo

O pessoal técnico-administrativo destacou o bom ambiente de trabalho e a possibilidade de participação efetiva nas dinâmicas da instituição. Solicitam a organização de reuniões mensais para corrigir deficiências em relação ao trabalho e em função da comunicação interna. Sugerem ainda a observância dos seguintes aspectos:

    * ampliar os espaços de atendimento ao aluno;
    * dinamizar ainda mais o sistema de informações (banco de dados);
    * conscientizar professores(as) e alunos(as) para ter mais zelo e cuidado com os ambientes de aprendizagem (salas de aula, laboratórios, anfiteatro, etc.).

A exposição e compreensão da instituição por meio da avaliação de docentes e funcionários designa pontos fortes e fracos, mas também retrata uma vitalidade da instituição, que mesmo pequena, mostra disposição para "corrigir-se" durante o próprio processo de crescimento.

3.1.4. Dimensão avaliativa externa

Sobre os processos de avaliação externa, realizadas pelo MEC, as informações são as seguintes:

    * Curso de Graduação em Enfermagem, autorizado em 1996 e reconhecido em maio de 2002, com conceito B;
    * Curso de Comunicação Social - Habilitação em Jornalismo e Publicidade e Propaganda, autorizado em 1997 e reconhecido em 2002 por dois anos (não foi especificado conceito, contudo a indicação mais contundente da avaliação diz respeito à necessidade da sistematização do projeto pedagógico do curso, que foi observado na prática, mas não estava explícito em documento próprio);
    * Curso de Turismo com Ênfase em Meio Ambiente, autorizado para funcionamento em 1999, reconhecido em 2003 com conceito A;
    * Curso de Educação Física, autorizado para funcionamento em 2001, com previsão de reconhecimento em 2004.

3.1.5. Dimensão regimental e estatutária

A estrutura administrativa do Instituto está desdobrada em órgãos fiscalizadores/administradores que são: Assembléia Geral da Mantenedora, Conselho Curador, Conselho Fiscal e operacionais: diretoria executiva, conselho técnico-acadêmico (relativo ao ensino superior) e conselho técnico-pedagógico (relativo à educação básica). Na primeira instância estão envolvidos muito fortemente os responsáveis por segmentos eclesiásticos da IECLB (Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil), com o propósito de manter e preservar os princípios e fundamentos de trabalho. Já na segunda instância, mais operacional, as funções estão definidas a partir dos currículos dos profissionais indicados para cada cargo e avalizados pelo Conselho Curador. Todos os cargos e funções não dependem de processos eletivos, mas se definem a partir de procedimentos seletivos, baseados na análise do currículo e entrevista. De modo geral, a escolha é da competência do diretor geral, que em algumas situações, pode solicitar pareceres de alguns dos seus colaboradores.

A presença da comunidade eclesiástica é bastante forte, mas na prática, o que se verifica é um pouco diferente. Ainda que exista a necessidade de aprovação de todas as ações/planejamentos/relatórios, por parte da comunidade eclesial, o Instituto, por intermédio da pessoa do diretor geral e de sua equipe, vem administrando a instituição com muita autonomia. Dificilmente em assembléias e reuniões de trabalho , o exposto pela direção geral é alterado ou criticado substancialmente.