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O mais antigo embrião do Colégio BOM JESUS de Joinville-SC foi a antiga escola Alemã, fundada pela comunidade luterana em 1866, logo após a fundação da cidade, funcionando entre 1876 e 1939 como Deutsche Schule, quando é fechada por conta da campanha de nacionalização do ensino brasileiro, em seguida reabrindo, ao fundir-se com o Instituo Bom Jesus, existente desde 1926, fundado pela professora Anna Maria Harger, passando mais tarde a chamar-se de Colégio Bom Jesus, na Rua Princesa Isabel, 438. Sendo que o mesmo volta a tornar-se propriedade da Comunidade Evangélica de Joinville CEJ/UP, em 1962.
Desde então, o Colégio foi gradativamente ampliando seu corpo docente, sua estrutura física e implementando a sua proposta pedagógica, até tornar-se um dos maiores educandários de Santa Catarina e o maior colégio luterano da América Latina.
Em Assembléia Geral Extraordinária, realizada no dia 03 de setembro de 2002, o Colégio Bom Jesus incorporou o Instituto Superior Luterano de Educação de Santa Catarina – IELUSC. Desta forma, as duas instituições assumem a nova Razão Social “Instituto Superior e Centro Educacional Luterano Bom Jesus/Ielusc”, e em 2006, para atender exigências do novo Código Civil, o Estatuto foi devidamente adequado, dando origem à Associação Educacional Luterana BOM JESUS/IELUSC.
Instituição de ensino sem finalidade lucrativa, de caráter comunitário e de fins filantrópicos, mantida pela Comunidade Evangélica de Joinville – CEJ/UP, oferece os cursos de Educação Infantil, Ensino Médio reconhecido pelo CEE – Parecer Nº 321/85 e de Ensino Superior autorizado e reconhecido pelo MEC.
Esta instituição apesar de ser um marco na história da comunidade local, com o passar dos anos, absorvida pelas necessidades funcionais e pelas conjunturas tanto políticas como administrativas, foi perdendo muito de sua memória física e documental, ação esta originária da falta de conservação de acervo documental. Grande parte deste “descuido” deve-se pelo “desprendimento” imposto pelo governo ao proibir a manifestação cultural de diferentes etnias a partir da década de 30, impulsionado em parte pelos desdobramentos da 2ª Guerra Mundial, e em parte pelo entusiasmo nacionalista que se instala no país neste momento, sendo paulatinamente reforçado pelos períodos desenvolvimentistas e de ditadura que se desdobram nas décadas posteriores.
Somente muito recentemente que a instituição volta seu olhar para este passado aparentemente longínquo, que permanece na memória de muitos dos descendentes de diferentes gerações de alunos que passaram pela instituição.
Neste sentido, em setembro de 2000 a instituição lança a idéia de criação do Centro Cultural Deutsche Schule-CCDS, junto à diretoria administrativa do Colégio Bom Jesus (conforme ata em anexo de 20/09/2000), e em 2001, diante das comemorações dos 150 anos de Joinville, o NEMATUR - Núcleo de Pesquisa em Meio Ambiente e Turismo da própria instituição, lançou a proposta do Centro Cultural Deutsche Schule, junto a comunidade Joinvillense, no intuito de propor e repensar a preservação da cultura local, através de evento no qual participaram, o excelentíssimo governador do estado, representantes da comunidade evangélica luterana, alunos, professores e demais autoridades locais.
Sendo assim, aprovada a proposta de criação do Centro Cultural Deutsche Schule, são organizados alguns espaços dentro do edifício da antiga Deutsche Schule que possibilitem estas ações.
Entre as ações propostas pelo Centro Cultural Deutsche Schule, se iniciam a partir de seu lançamento oficial a comunidade em 06 março 2001, visitas à exposições temporárias que propõem de alguma forma a história da escola, bem como de outros temas, relacionados a cultura local e a expressividade da diversidade cultural que hoje a cidade abriga. Promovendo mostras e eventos juntamente com os demais cursos da instituição, alimentando assim o desenvolvimento da pesquisa e extensão junto a comunidade.
Uma ação importante iniciada neste período foi a de coleta e organização do acervo de documentos e objetos da antiga Deutsche Schule- DS, ainda existentes na instituição, porém dispersos e sem nenhum tipo de cuidado ou estudo. Neste sentido foi disponibilizada uma bolsista, a qual registrou a maior parte do acervo existente da DS no Livro Tombo, e organizou fotos e documentos de ex-alunos, relatórios de aula, objetos antigos, jornais, livros, material de laboratórios, entre outros materiais.
Este material têm servido para investigação de alguns pesquisadores desta e de outras instituições, que tem investigado sobre a interferência da cultura alemã no processo educacional do estado, como os professores Norberto Dellabrida, que coordena um projeto de investigação sobre o ensino médio no estado de Santa Catarina durante o Estado Novo, publicando recentemente um trabalho de uma das pesquisadoras, Luana Bergmann Soares sobre, o “Colégio Bom Jesus : nacionalização e resistência durante o Estado Novo”. Ou ainda o trabalho de Maria Ivonete Peixer da Silva, que pesquisou sobre A escola na Colônia Dona Francisca (Joinville): um estudo da construção do ensino entre 1851 a 1990, em sua Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação e Cultura da Universidade do Estado de Santa Catarina, em 2003.
Porém a grande dificuldade ainda é, de que não há um espaço devidamente apropriado para sua guarda, manuseio e conservação. O que, apesar da iniciativa louvável de organização do material têm limitado muito a apropriação do mesmo, assim como tem impedido a aquisição de mais material que se encontra disponível junto a alguns ex-alunos ou familiares dos mesmos, os quais podem com certeza perder-se caso não resolvamos este problema. Impedindo que futuras pesquisas possam aprofundar a significância que a própria Deutsche Schule tem em relação a formação do ensino no estado.
A antiga Deutsche Schule traz consigo a persistência da busca de fortalecimento da comunidade teuto-brasileira na cidade, estando próxima a Igreja da Paz, templo de confissão luterana, ela compõe este espaço simbólico que representa os ideais desta religião na época, que segundo relatos de Silva , via o ensino como porta de entrada da religião.
Apesar dos anos de repressão e perseguição da cultura alemã, devido às implicações políticas do Brasil na 2ª guerra mundial, e a conseqüente campanha de nacionalização, ela resistiu e solidificou uma prática de ensino que chega até hoje como uma referência de qualidade na formação dos cidadãos Joinvillenses, formando hoje, com os prédios mais recentes que compõem seus entorno, o conjunto que abriga parte do atual Instituto Superior e Centro Educacional Luterano BOM JESUS - IELUSC.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGUIAR, José; Cabrita, A. M. Reis; APPLETON, João. “Guia de Apoio a Reabilitação de Edifícios Habitacionais”. Laboratório Nacional de Engenharia Civil. Lisboa, 2002.
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